sexta-feira, setembro 22, 2006

Espectros

“Trabalhar para a rua significa questionar mais de cem anos de produção artística dirigida ao museu. Para o artista, significa também descer de seu pedestal, ousar o risco e aceitar a humildade.” (Daniel BUREN, 2001)

Espectros são intervenções urbanas em espaços não autorizados – às vezes autorizados. Espaços públicos, vividos e conquistados. São ações de guerrilha cultural contra a apatia e passividade da cidade, das pessoas e de seu comportamento social nesses espaços. Tratam de ser o mais impactantes e intensas, ao mesmo tempo em que efêmeras. Trabalham com o espaço autônomo temporal. Mantêm sua presença por pouco tempo, para não provocar a cegueira e conseqüente desaparição.

Em busca do genius loci, o espírito do lugar. Trabalhando em um determinado espaço e com esse espaço é possível resgatar seu caráter, sentindo sua essência logo que observado. O que está presente no lugar é o que faz existir este lugar. Trato de reproduzir ressaltando o que parece estar ocluso, para lembrar o esquecido. E assim encontrar o equilíbrio existencial.

É competência do homem fazer o lugar situar-se na história, sua história. E sigo acreditando nisso para que o trabalho suceda. Espectros são propostas que prevêem a ação do observador, investindo em elementos e significados para o espectador casual, não predisposto a olhar, causando surpresa, um olhar sem ver, um confronto com o olhar comum. Sendo o espectro dos objetos uma ameaça à estabilidade do espaço em questão.

Espectros se inserta no contexto das práticas artísticas contemporâneas que trabalham com mudanças, alterações e substituições, instaurando um lugar limite entre o objeto real e o objeto imaginário, a arte e a não arte, a superfície e a profundidade.

A rua é de todos. A arte é feita para todos.

“Espectros – Por favor, não sente.”, 2003, tule, 0,91 x 1,80 x 0,60 m. UFRGS, Porto Alegre, Brasil.

“Espectros – Tonéis”, 2003, tule e arame, 0,58 x 0,85 x 0,58 m. UFRGS, Porto Alegre, Brasil.

“Espectros – Isto não é uma lixeira.”, 2003, tule e arame, 1,68 x 1,05 x 0,55 m. UFRGS, Porto Alegre, Brasil.

“Espectros – Luminária”, 2003, tule e arame, 0,40 x 2,73 x 0,40 m. UFRGS, Porto Alegre, Brasil.

“Espectros – Entulho”, 2003, tule e arame, 0,95 x 1,55 x 1,25 m. UFRGS, Porto Alegre, Brasil.

9 Comments:

Blogger sheila said...

Espectros de alguém que realmente pensa arte de uma maneira contemporânea. Lindo trabalho.
Parabéns!

9:49 AM  
Blogger marirotter said...

Aéh guria! BA faz bem para as pessoas! Bem legal tua iniciativa, acho até que vou te copiar, hehehe!
Beijoca,
Mariane.

5:11 PM  
Blogger Laura Cogo said...

Será Buenos Aires ou a idade?!

5:30 PM  
Anonymous Anônimo said...

Lindíssimo!!!! Amei o texto e as fotos. Se o blog é assim, imagina o site!!! Bjokas Deh

7:59 PM  
Anonymous Anônimo said...

Acho até que vou montar uns desses no meu bairro... hahahahaha... parabéns, ficou bonito mesmo.

8:05 AM  
Blogger Larissa said...

Os tonéis são meus preferidos. Não canso de olhar essa foto. beijos

5:55 PM  
Anonymous Anônimo said...

lindo-linda-laura!
beijos com saudades
Lu

1:34 PM  
Blogger Laura Cogo said...

Vocês não são só minhas amigas, são minhas fãs! Obrigada, gurias!

10:47 AM  
Anonymous Giovanni Guaspari (Castor) said...

Adorei seu Blog!Muito sucesso pra vc..beijos

5:51 PM  

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